sexta-feira, 8 de julho de 2011

À Beira de Água - Eugénio de Andrade


Estive sempre sentado nesta pedra escutando, por assim dizer, o silêncio. Ou no

lago cair um fiozinho de água. O lago é o tanque daquela idade em que não

tinha o coração magoado. (Porque o amor, perdoa dizê-lo, dói tanto! Todo o

amor. Até o nosso, tão feito de privação.) Estou onde sempre estive: à beira de

ser água. Envelhecendo no rumor da bica por onde corre apenas o silêncio.


Os Sulcos da Sede

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